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Pensamentos: causos, contos e poesias

Recebi a missão de falar sobre o Seu Jacó. Achei que nada poderia ser melhor para descrevê-lo do relembrar uma de suas próprias histórias:

"Certa vez não estava conseguindo serviço e a família já estava passando necessidades, até que um conhecido me indicou como pedreiro a uma pessoa. Fiquei feliz pela oportunidade e marquei de encontrar o contratante num sítio bem longe, às sete horas da manhã. Acordei as quatro da madrugada e, sem tomar sequer um cafezinho (não tinha nada em casa), segui para o ponto de ônibus, sem nenhum centavo para a passagem. Entrei no ônibus e fiquei na parte de trás, antes da roleta. Quando cheguei no meu destino, esperei a porta de trás ser aberta e, subitamente, desci correndo sem pagar. Muitos me xingaram.

Cheguei esbaforido na obra e acertei tudo com o contratante que ficou de voltar perto do horário do almoço, ocasião que me traria uma refeição e um adiantamento do valor acertado pelo serviço. Agradeci a Deus por aquele momento. Porém, deu meio dia, uma hora, duas da tarde e nada do contratante aparecer. Trabalhei, sem comer nada, até as seis da tarde. E nada do patrão!

No caminho de volta até o ponto de ônibus, enquanto torcia para não ser reconhecido por ninguém que tivesse presenciado minha peripécia da manhã, passei por uma mercearia que tinha lindos cachos de bananas maduras pendurados. A fome que sentia era dolorosa! Então, por instinto e desespero, arranquei algumas bananas do cacho e saí correndo. O dono da mercearia xingou e gritou muito, mas não conseguiu me alcançar. Peguei o ônibus e comi as bananas. Chegando ao meu destino, novamente saí correndo pela porta dos fundos. Em casa, às nove da noite, exausto, de mãos abanando, sem nada para a família encarei minha esposa que reclamou muito do horário do meu retorno e da falta de comida. Dormi pensando como faria no dia seguinte.

Acordei novamente às quatro da manhã e repeti o que tinha feito no dia anterior para chegar ao local da obra. Novamente fui xingado e me senti humilhado. Mas ao chegar no serviço, o patrão estava lá e me pagou como acertado. Agradeci muito a Deus por ter persistido.

Na volta para casa, passei na mercearia, expliquei ao dono o ocorrido, me desculpei e paguei pelas bananas que tinha surrupiado. Fiz a mesma coisa, com o trocador do ônibus, explicando, me desculpando e pagando pelas passagens do dia anterior.

Sabe, Carlo, a vida é dura, mas vale a pena! "


Esse era o Seu Jacó, uma pessoa incrível!

Carlos Neri

  • Editora: Kiron
  • Autor: Jacó Florêncio de Oliveira (autor)
  • ISBN: 978-85-8113-861-9
  • Origem: Nacional
  • Ano: 2019
  • Edição: 1
  • Página: 136
  • Acabamento: Brochura
  • Dimensões: 15x22cm